Mulheres que querem melhorar a composição corporal, aumentando o ganho de massa magra e a performance: a resposta não está na testosterona! Embora a dosagem deste hormônio tenha ganhado popularidade nos últimos anos, especialistas alertam para os riscos de testes que não foram feitos pensando no organismo feminino, e do uso em uma quantidade inadequada.  

“O ensaio de dosagem de testosterona foi feito para homens, e a sensibilidade do teste é para números altos. Não existe valor mínimo para mulheres. Se a mulher faz a dosagem e o resultado dá um valor baixo, é bom saber que esse valor daria de qualquer maneira”, explica o médico endocrinologista Alexandre Hohl, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e professor de Endocrinologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 

Uma pesquisa realizada pelo Colégio Norte-americano de Patologistas mostrou que uma mesma amostra de sangue enviada a diferentes laboratórios para a dosagem da testosterona em mulheres apresentou uma variação de 13% a 32%, de acordo com informações da SBEM.  

Com o resultado do hormônio reduzido em mãos, as mulheres podem até ser orientadas a tomarem testosterona pensando em benefícios, como uma melhora no desejo sexual e na forma física. “Parte do problema é que, quando essa pessoa começar a dosar e usar a testosterona, quase certamente irá evoluir com efeitos colaterais, como acne, pelos, aumento do clitóris, voz grave, doença no fígado e coração. É muito sério dar um hormônio para alguém que não precisa”, reforça o especialista. 

Quando o teste é indicado 

Se a dosagem da testosterona não é indicada para verificar uma falta do hormônio no corpo feminino, para avaliar o excesso dela o teste é válido. Isso porque o exame pode compor o diagnóstico de doenças importantes, como tumores de ovário ou da supra renal, da adrenal e a síndrome dos ovários policísticos.  

“A principal indicação [do teste de dosagem] é quando se suspeita do excesso de testosterona na mulher, e isso vem dos sinais clínicos que são bem evidentes. Quando a mulher tem acne, excesso de pelos e alteração na menstruação na fase reprodutiva”, explica Adriane Maria Rodrigues, médica endocrinologista do Serviço de Endocrinologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná. 

O cuidado médico varia conforme a condição que favoreceu o aumento do nível do hormônio. No caso dos cânceres, pode ser feita a retirada dos tumores e o tratamento mais indicado. A síndrome do ovário policístico é tratada com medicamentos antiandrogênicos e com o anticoncepcional oral. “Se o ovário está produzindo em excesso a testosterona, o anticoncepcional vai impedir essa produção. Ele também altera algumas proteínas que agem impedindo que o hormônio masculino fique livre”, detalha a endocrinologista, que também é responsável pelo ambulatório de Endocrinologia Masculina e Feminina e Adrenais do HC e membro da SBEM-PR 

 

Riscos em tomar sozinha 

Como não há dosagem adequada para mulheres, o risco em fazer uso da testosterona isoladamente e sem acompanhamento inclui, de acordo com os especialistas: 

  • Queda de cabelo;
  • Engrossamento da voz;
  • Aumento do clitóris;

 

  • Risco de desenvolvimento de câncer;
  • Risco cardíaco.

“Se a mulher usa a testosterona há muito tempo, esses sintomas podem ser irreversíveis. Mas, na maior parte dos casos, a mulher percebe que algo está estranho e busca o médico. Ela acha que usar vai deixá-la linda, magra, mas aí vem os efeitos colaterais e ela vai procurar entender o por quê, vai procurar ajuda e acaba parando de usar”, reforça Hohl.

 

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